13ª Cápsula Informativa – Research on Research Lab

Incentivos em pesquisas online

O uso de incentivos em pesquisas online é um tema que levanta muitos interesses, por uma razão óbvia de que o uso de incentivos se relaciona fortemente com os custos total da pesquisa. Muitas experiências já foram realizadas sobre esta questão e existe uma literatura abundante sobre este tema. Contudo, os resultados obtidos até hoje não são claros. A única conclusão que temos durante esse tempo é que se trata de uma questão que não é tão simples como se pensava há alguns anos atrás.

Em geral, a maioria das empresas e organizações dedicadas a fazer pesquisas assumiu como principio de base que o nível de resposta correlaciona positivamente com os incentivos que se oferecem aos respondentes. Ou seja, eles assumiram que é possível comprar a (boa) participação das pessoas nas pesquisas.

Alguns estudos que parecem confirmar esta hipótese (Couper, 2000), mas há outras experiências nos que não se encontraram os efeitos positivos dos incentivos sobre as respostas, nem sobre a taxa de respostas (Bosnjak e Tuten, 2003). Em outros, embora os efeitos sigam a direção esperada, o impacto dos efeitos é tão reduzido que faz nos questionar se realmente os incentivos jogam o papel positivo que lhes é atribuído habitualmente: por exemplo, Cape and Martin (2013) encontraram um aumento da taxa de resposta de somente 4% por aumentar o incentivo de 0 a 10 dólares. Diferentes meta análises foram realizadas para tentar clarear os efeitos, mas nesses estudos as conclusões também variam: Cook, Heath, e Thompson (2000) não encontraram efeitos, enquanto que Göritz (2006) encontra um efeito positivo.

Porque estes resultados são pouco claros e em ocasiões contraditórias? O problema é que o tema dos incentivos é um tema complexo, é difícil tirar conclusões gerais ou regrar para o futuro. Vejamos qual é a origem desta complexidade.

Em primeiro lugar, existem diferentes tipos de incentivos. Podem-se utilizar presentes, dinheiro, participação em sorteios ou pontos que é possível acumular e trocar por presentes ou dinheiro ou participação em sorteios. Também, estes incentivos podem ser entregues sob diferentes critérios de participação: incentivos condicionados a uma realização de alguma ação (por exemplo, ter o perfil buscado pelo estudo) ou incentivos não condicionados. E podem ser utilizados em diferentes momentos de um processo de pesquisa: para incentivar as pessoas a fazer parte do painel, para agradecer a participação em cada nova pesquisa completa ou como recompensas adicionais para as respostas a perguntas especificas (particularmente sensíveis ou que exigem maior esforço cognitivo). Entretanto, o valor – tanto real como o percebido – cada um desses incentivos pode variar consideravelmente e os diferentes tipos de incentivos se podem combinar em sistemas de incentivos altamente sofisticados. Resultado de tudo isso que há uma infinidade de formas de usar os incentivos.

Em segundo lugar, dependendo do sistema exato de incentivos que escolher por uma pesquisa, pode obter diferentes resultados. Por exemplo, vários estudos mostram que dependendo do incentivo este condicionado a realização de uma tarefa ou não, podemos relacionar de maneiras muito diferentes.

Em terceiro lugar, a forma de relacionar as pessoas a diferentes incentivos depende muito da cultura e os costumes do país estudado. Em algumas sociedades, o uso de incentivos de grande valor (por exemplo, um computador em troca de participar de uma pesquisa) pode gerar suspeita por parte de alguns respondentes, que podem chegar a chamar a polícia denunciando uma proposta suspeita.

Finalmente, o sistema de incentivos pode atuar em diferentes níveis e provocar diferentes tipos de resultados, alguns positivos e outros negativos. Por exemplo, um mesmo sistema de incentivos pode aumentar a taxa de resposta a uma pesquisa (efeito positivo), mas a custo de aumentar o erro de medida (efeito negativo), algo que se produz pela presença de participantes que se movem unicamente por dinheiro. Aqueles que não se interessam em oferecer respostas válidas obrigam a estabelecer controles de qualidade sobre a participação muito mais estrita. No caso de um painel, um aumento pontual de incentivos para uma pesquisa particularmente sensível, pode também ter um efeito positivo nessa pesquisa concreta, mas um efeito negativo sobre as participações seguintes.

Em conclusão, não podemos ditar regras gerais sobre o uso de incentivos, porque dependendo do sistema exato de incentivos que se utiliza e do contexto, os resultados podem variar fortemente. Também, o sistema de incentivo pode afetar vários tipos de resultados em direções opostas. Diante dessa disparidade de resultados, alguns autores como Unbach (2004), indica que um não se deveria sentir obrigado a utilizar incentivos, embora possa ajudar em alguns casos, e sobre tudo não usar incentivos de um valor desproporcional. Em cada pesquisa e em cada âmbito (pesquisas pontuais, pesquisas em um painel...) e dependendo dos objetivos principais, deveríamos buscar um balanço entre diferentes tipos de erros, assim como entre o nível do erro e o custo da pesquisa. Nem sempre será o mais efetivo usar os recursos econômicos nos incentivos. Em ocasiões, pode ser mais efetivo para melhorar a qualidade geral da pesquisa, usar estes recursos na tentativa de contatar com os respondentes adequados, no desenho do convite, no desenho das perguntas...

Referências bibliográficas:
  1. -Bosnjak, M. and Tracy L. (2003) "Tuten Prepaid and Promised Incentives in Web Surveys: An Experiment". Social Science Computer Review 2003 21: 208
  2. -DOI: 10.1177/0894439303021002006
  3. -Cape, P. and P. Martin (2013). "Rewards - Money for Nothing?" General Online Research Conference GOR 13 March 04-06, 2013, DHBW Mannheim, Germany.
  4. -Cook, C., Heath, F., and Thompson, R. L. "A Meta-analysis of Response Rates in Webor Internet-Based Surveys." Educational and Psychological Measurement, 2000, 60(6), 821–836.
  5. -Couper, M. P. (2000). "Web surveys: A review of issues and approaches". Public Opinion Quarterly, 64, 464- 494.
  6. -Göritz, A.S. (2006). "Incentives in Web Studies: Methodological Issues and a Review". International Journal of Internet Science 2006, 1 (1), 58-70
  7. -Umbach, P. D. (2004). "Web surveys: Best practices". New Directions for Institutional Research, 2004: 23–38. doi: 10.1002/ir.98

CONTATO

*Campos obrigatórios